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12 abril 2018

Entendendo os por quês da nossa vida

Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?

Parece injusto que “coisas ruins” aconteçam com pessoas boas. Onde está Deus quando essas coisas nos acontecem? Por que Deus não protege as pessoas boas contra tragédias e sofrimento?
Em meu tratamento, desde o início de tudo em 2006, me deparei com esses questionamentos: Afinal, por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? Ouvia muitos comentários de pessoas amigas, do tipo: "Você não merecia isso! "
Também soube de comentários de pessoas não tão amigas: "Se ela está passando por isso, é porque fez por onde…"
Além de enfrentar o Lúpus, temos que aprender a nos blindar de julgamentos externos. O que no nosso caso acontece diariamente. Então cito abaixo alguns comentários 'idiotas e sem nexo' que temos que nos deparar:
Mas por que isso acontece? Continue lendo esse Post para saber mais porque coisas ruins acontecem com pessoas boas.
Infelizmente, somos educados desde pequenos a buscar o sucesso, a felicidade, a bem aventurança. Mas muito pouco nos é ensinado sobre como lidar com o fracasso, o obstáculo e dificuldades que a vida nos apresenta.
O fato é que, apesar da nossa cultura associar toda dor ou sofrimento à castigo, eu nunca pensei dessa forma! Nunca achei que ter Lúpus era castigo Divino, falta de sorte ou algo do gênero. 
Intuía, porém, que de alguma forma, as escolhas que fiz na vida me levaram a ter uma doença assim. Tanto, que a primeira pergunta que fiz para o médico que me diagnosticou foi: Lúpus é uma doença da alma?
Ele me falou sobre mutação genética, mas não me convenceu… então mergulhei, no autoconhecimento em busca de respostas.
Parei de perguntar: Por que? E comecei a perguntar: Para que?
Para que eu fui diagnosticada com LES? E Isso me levou a entender porque coisas ruins acontecem com pessoas boas…
1. PARA NOS AJUDAR A APRENDER E CRESCER
Essa foi a grande lição que minha luta com a doença me trouxe…No meu tratamento decidi que iria aprender tudo o que pudesse não só SOBRE o Lúpus, mas especialmente, COM ele.
Entendi, cedo a oportunidade, mesmo que sofrida, que a vida estava me dando de aprender e crescer. E hoje, posso te garantir, crescer dói, mas é recompensador!
2. PARA ASSUMIRMOS A NOSSA RESPONSABILIDADE PELA NOSSA VIDA
Pode parecer crueldade o que eu vou te dizer agora, mas …
VOCÊ é o responsável pela vida que está vivendo!
Foi muito difícil eu entender isso assim que fui diagnosticada. Afinal, quem escolhe ficar doente?
No entanto, aos poucos parei de me culpar. Assumi a responsabilidade pela minha vida e decidi mudar tudo o que eu achava que não estava legal e não me fazia feliz. Queria sentir orgulho da minha vida…
Diante de uma “tragédia” é muito mais fácil nos vitimizar. Mas sinceramente, perguntar “Por que eu?” Não vai resolver o seu problema! Então, ao encarar a sua dificuldade, você pode se fazer de vítima ou se fortalecer. A quantidade de esforço vai ser a mesma. Os resultados, porém, serão bem diferentes!
Reclamar é natural do ser humano… A gente adora um mimimi. É mais fácil culparmos o governo, o marido, o patrão, o empregado, Deus. Reclamar exige menos esforço, porque se o problema está no outro, não há nada que possamos fazer a respeito…
Mas a verdade é que SOMENTE VOCÊ é responsável pela SUA vida!
Somos co-criadores da nossa realidade. E quando não gostamos da nossa realidade, a atitude mais inteligente que podemos tomar é mudarmos a nós mesmos. Essa é a boa notícia! Pessoas auto-responsáveis mudam a si mesmo. E consequentemente, mudam a realidade ao seu redor.
Você não está condenado a ser a mesma pessoa e nem mesmo a ter a mesma vida pra sempre! Só VOCÊ pode mudar a sua vida!
3. PARA NOS CURARMOS
De um ponto de vista espiritual, a nossa dor ou desconforto em qualquer situação é um sinal de que estamos desalinhados.
A dor ou desconforto estão, na verdade, nos dando a oportunidade de curar algo.
Acontece que, na nossa sociedade, aprendemos a julgar todas as situações e pessoas, procurar culpados, acusar e buscar vingança (mesmo quem não se considera vingativo, pensa ou diz coisas como “Deus tá vendo”, ou “eu confio na Justiça Divina”, esperando que um Deus barbudo espete seu inimigo no bumbum com um tridente).
Quando entramos nesse ciclo de julgamento, acusação e busca por vingança, não conseguimos enxergar qual é a lição por trás do nosso sofrimento. Não entendemos a mensagem.
E, com isso, não reconhecemos a oportunidade e não há cura.
Adivinha o que acontece depois? Nós criamos novas situações de desconforto e dor na nossa vida. Sabe aquelas situações que se repetem sempre?
A partir de hoje, comece a ver as “coisas ruins” que acontecem na sua vida como oportunidades de olhar pra si mesmo e se curar. Perceba que são presentes!
Se você conseguir essa pequena mudança na sua percepção, se conseguir pelo menos se abrir pra possibilidade de que talvez, quem sabe, a situação não seja exatamente como você a está vendo (e interpretando). Você se sentirá mais leve quando aceitar essa verdade.
Hoje, posso afirmar que de certa forma o Lúpus foi a minha cura!
Estou curando meus medos, ansiedades, magoas e frustrações… É muito louco isso, mas não consigo imaginar de que outra forma, eu mudaria tanto a minha vida, e a mim mesma, e em tão pouco tempo! Aprendi isso com a doença!!
É claro que ninguém precisa de uma doença grave ( Lúpus, câncer etc...) para se reencontrar na vida! Na verdade, você pode usar qualquer obstáculo, qualquer situação que esteja te causando dor, como uma escada.
Em outras palavras, tente enxergar essa “coisa ruim” que está acontecendo com você como um desafio. Use esse problema que está aí na sua frente como uma oportunidade de crescimento pessoal.
E 90% da sua cura já terá acontecido. Fique tranquilo que o Universo, a Inteligência Maior, o seu Eu Superior , Deus, ou o que quer que você acredite, cuidará de tudo. Essa é a oportunidade que você está recebendo para se curar. Não a desperdice!





Se você gostou desse POST e quer ajudar mais pessoas a encontraram resposta para o questionamento: Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? ----> Sintam-se a vontade para compartilhar e espalhar essas pequenas dicas para todos!!! 
Beijooooo no coração de cada um de vocês!!!!

Ana Paula Gewehr Heinze- abril/2018

10 abril 2018

Minha alma precisa de férias


Acordei meio cansada. Cansada de prender o choro, de contar as novidades, de levantar sempre no mesmo horário vestir minha armadura e ir lutar,  de sorrir pros amigos porque está tudo bem. Cansada de ser forte.
Dormi 'leve' .  Tirei as roupas e as máscaras junto, mas precisei recolocá-las pela manhã: um short meio surrado, um sapato confortável e um disfarce de gente feliz – feliz o tempo inteiro. Gente que tem a obrigação de ser agradável. Vocês sabem bem como é isso. Ser agradável mesmo quando estamos nos sentindo um trapo!
Passei a pensar demais sobre o mundo. Isso é meio arriscado porque a gente acaba enxergando demais – e, uma vez desvendados os nossos próprios absurdos, não se pode voltar atrás. Talvez a ignorância seja mesmo uma bênção – não se dar conta da crueldade com que eventualmente o mundo é capaz de nos tratar. E o Lúpus é capaz de nos agredir sem piedade, sem dia, sem hora, sem nos dar escolha.  E vendo que o dia amanheceu ensolarado, a certeza: está nublado por aqui.
Acordei meio cansada das minhas próprias escolhas.
Só por hoje eu não quero decidir absolutamente nada – 20 remédios ou nenhum, fazer meu exame de sangue ou deixar minhas pernas cada vez mais roxas, dar bom dia ou um que se dane... nada. Não quero pensar em nada nem decidir nada. 
Não quero ser compreendida. É só mais uma obrigação que dá muito trabalho. Só por hoje, não vou me esforçar pra ser melhor e também não vou sorrir sem vontade. Que nada seja dito ou pensado ao meu respeito: hoje só me cabe existir.
Acordei meio perdida em meio aos acontecimentos, às pessoas, à confusão urbana que se confunde estranhamente com a minha própria confusão. Ao calor infernal que faz lá fora.  Não vou escolher uma playlist: toquem o que quiserem. Não vou pensar sobre as pessoas: sejam exatamente o que quiserem. Hoje, só por hoje, não quero conclusões. Nem de mim nem de ninguém. 
Quero passar despercebida, como numa capa mágica de invisibilidade ( aquela do Harry Poter!!). Quero quase não existir até conseguir me ajustar a esse medo de ser eternamente desajustada. Não quero horários ou compromissos ou sorrisos ou explicações.
Só por hoje quero coexistir passivamente e sem qualquer resquício de indignação.
Minha alma precisa de férias.

#Lúpus #Dor #Sofrimento #Cansaço #Explicações #NãoQuero #SóPorHoje
#AprendendoComOLúpus #Fé #Esperança #Força #Paz



09 abril 2018

Um Sonho de Cinderela

Como havia prometido hoje venho relatar a realização de um grande sonho da menina/mulher Ana: a formatura em História, pela Unisc, em 16 de agosto de 2008. Para muitos, esse acontecimento pode ser visto como apenas mais uma etapa da vida, e não mais do que isso, não necessitando deste destaque tão especial que vamos dar através destas palavras vindas dela e de sua mãe. No entanto, não seria mentira dizer que Ana Paula  precisou se “beliscar” para confirmar que não se tratava apenas de um sonho.
Após os estágios de Ensino Fundamental e de Ensino Médio, aproximava-se o dia da colação de grau. Amigos e familiares se “escalavam” para festejar o grande acontecimento, aguardando convite para a ocasião. Ana ficou muito emocionada com as demonstrações de carinho e solidariedade. Todavia, as despesas eram muitas. Então, o que fazer?
Amigas emprestaram vestidos, outras ofereceram calçados e estolas para o frio: nada servia. A única maneira seria adaptar um dos vestidos oferecidos, ajustando e modificando. Alguém se ofereceu para doar os convites da formatura. Outros perguntavam: “Do que a Ana precisa?”. Assim, tudo acontecia como em um sonho de Cinderela. Apenas um importante detalhe fazia toda a diferença: nada era imaginário.
Decidiram, então, enviar convites a todos aqueles que sempre conviveram com Ana e que acompanharam de perto sua rotina - amigos, companheiros de jornada, familiares... Foram tantos! Alguém sugeriu que, após a cerimônia, fosse feita uma confraternização em um restaurante, em que cada convidado assumiria suas despesas. Não era exatamente o que Ana e sua família queriam, mas era o que poderiam oferecer. Em momento algum ela imaginava que teria a solidariedade, a amizade e a compreensão que teve. Entre os convidados, estavam presentes muitas pessoas que, assim com a menina sonhadora e seus familiares, teriam dificuldade em oferecer jantares em restaurantes, além de outros que, por sua rotina, estavam habituados a fazer suas refeições fora, e que poderiam até mesmo deixar de atender ao convite pelo grande número de compromissos paralelos.
E assim chegou o tão esperado dia. Arranjos com flores, presentes, cartões e homenagens não paravam de chegar. Hoje em dia, é até difícil de acreditar, mas houve mesmo quem assumisse as despesas das fotografias, e outros doaram álbuns de formatura. E como se essa generosidade fosse pouco, ainda houve famílias que fizeram doações financeiras para custear as despesas. Assim, provando definitivamente que um conto de fadas pode ser muito mais do que uma mera história imaginária para crianças sonhadoras, nossa Gata Borralheira se transformou em uma linda, adorável e verdadeira Cinderela. Nesse conto real, fadas-madrinhas reais doaram sapatos novos, aluguel de vestido de princesa, salão de beleza e tudo que uma jovem pode sonhar para um momento tão inesquecível.
Para a cerimônia de formatura, compareceram pessoas muito especiais, como Dª. Eva, uma senhora desconhecida de Porto Alegre, de idade avançada e com problemas de saúde, e que foi à Unisc conhecer pessoalmente a jovem por quem havia tanto rezado. Também deslocou-se de Porto Alegre, especialmente para a colação de grau, a jovem fisioterapeuta Camila, que muito “brigou” com Ana Paula nas horas de fisioterapia no hospital.
É impossível esquecer que, nesses dois anos de jornada ( de 2006 a 2008), Deus levou consigo familiares, como o pai de Ana Paula, Pedro Heinze, falecido em maio de 2006. Levou também alguns amigos, companheiros ainda jovens, como Melissa, de Lajeado, Lisi, de Porto Alegre, Paulinho, de Santa Cruz, além de sua amiga Júlia, sempre tão próxima, esta que sempre deu forças a Ana mesmo em seus momentos mais críticos. Ana ainda lembra muito dela dizendo: “Vamos, Aninha! Vamos juntas vencer esta batalha!”. Com certeza, eles têm agora uma nova e importante missão: olhar e interceder por todos junto a Deus. Assim, fica a certeza de que eles cumpriram plenamente sua etapa na vida de Ana, e que ela ainda tem uma missão de solidariedade e amor ao próximo aqui na Terra. Que cada um cumpra a sua tarefa, esteja onde estiver, haja o que houver.
Ana sempre agradece a  todos que sempre lhe concederam palavras e gestos de apoio, solidariedade e amizade. Ela lembra que as secretarias municipais de Saúde e de Assistência Social e a Defensoria Pública amparam ela até hoje, nas constantes viagens de controle de saúde e no uso de medicação permanente.
E, enfim, a nossa linda Cinderela agradece a Deus, pelo dom da vida, pela fé e por cada dádiva recebida, dádivas que, pequenas ou grandes, são sempre significativas.
( Esse trecho final eu deixo como minha mensagem pessoal- Em minhas palavras- Ana Paula) 
Ao recordar todos esses momentos, difíceis ou felizes, tenho em mente que, se uma história chega ao seu final, uma outra agora se inicia. Sei que, entre as leis que regem a vida, a que mais se evidencia, na minha estreita visão terrena, é a imprevisibilidade. Acredito, porém, que nada do que acontece é casual, e que há um plano maior, muito além da nossa compreensão, em que tudo, mesmo o sofrimento, é justificado, ou tem sua razão de ser. É muito comum ouvir dizer que, para poder apreciar a vastidão e o significado maior de uma paisagem, é preciso escalar toda uma montanha. Eu acredito realmente nisso. Dessa forma, se hoje vejo os dias passados com olhos mais tranquilos, e se agora me encontro apaziguada, é porque cada acontecimento contribuiu para isso. Muito se repete também que nada do que se alcança com facilidade tem grande valor. Essa é a razão de vermos, na formatura, a realização de um sonho antes quase impossível para mim. Não sei o que me reserva o dia de amanhã, não sei como será essa nova história. Certezas, quem as tem? No entanto, creio possuir algo que vejo como bens mais preciosos, e, se não estiver enganada, chamam-se “esperança” e “coragem”, dádivas concedidas por Deus através de tudo que vivi. Assim, aguardo o dia de amanhã sem ignorar que cada um deles trará novos desafios. Mas sei que, nessa jornada, ninguém está sozinho.                    
 Minha fé é minha guia. E tudo posso naquele que me fortalece.

Ana Paula Gewehr Heinze- 2018

08 abril 2018

Voltando no tempo- como tudo começou


Era uma vez uma menina cheia de vida, serelepe, inteligente, delicada, amiga fiel. Ana é o nome dela. 
A vida de Ana nunca foi 'um mar de rosas', mas ela sempre teve tudo o que seus pais poderiam fazer para deixá-la feliz. Na escola era tida como mimada pois era a 'filha da professora' , o que com o tempo e a simplicidade que ela tinha no coração foi mudando a opinião dos colegas e conquistando a amizade de todos. Sempre foi muito estudiosa e dedicada. Dor não fazia parte dos dias dela. Coisa boa!!!! Ana se formou no ensino fundamental e médio, foi crescendo, os sonhos foram aumentando, a cabeça dela era um turbilhão de planos e ideias para seu futuro. 
Em 2004 passou pra faculdade de História. Iria cursar uma faculdade e ter sua independência.Esse era o sonho dela. Que seguia de especializações na área de pesquisa e arqueologia, junto com metas de viagens pelo mundo. Como a faculdade não ficava na cidade de Ana, ela foi morar com sua tia na cidade da mesma, podendo junto trabalhar e conciliar os estudos. Foi a largada pra sua independência, assim pensava a menina sonhadora. De uma vida corrida, com direito a baladas, festinhas e a faculdade, Ana teve dois anos de pura liberdade financeira e pessoal. Devido à quantidade de compromissos, ela visitava pouco a sua família, seu pai e sua mãe. Mal sabia ela o que o seu futuro tinha lhe reservado. O pai de Ana já no ano de 2005 estava muito mal, com um enfisema pulmonar sendo tratado em casa pois nada mais poderia ser feito para reverter sua situação. Ana nem imaginava que o caso de seu pai era esse. E que logo logo tudo iria cair, desmoronar... Principalmente o seu próprio mundo, a sua vida, os sonhos, os planos.  O ano de 2006 iniciou com muita alegria e alguns sonhos realizados, como o piercing no umbigo e a espera do início do 5° semestre da faculdade. Porém, algo inesperado aconteceu. E a história dela teve seu rumo e destino mudados da noite pro dia... 

PS: Confesso que voltar ao passado dessa forma mexeu fundo com meus sentimentos. Incrível isso não?! Recordar é viver, porém recordar também é sofrer. 

Ana foi surpreendida por uma doença repentina e aparentemente inexplicável , que, em fevereiro de 2006, após doze dias de internação no Hospital Santa Cruz, com investigação e laparotomia diagnóstica inconclusiva, apresentou agravamento de seu quadro clínico, tornando-se necessária sua transferência para a UTI do Hospital Santa Rita, de Porto Alegre. Ana chegou ao hospital com choque séptico e falência orgânica múltipla. A partir desse momento, foram necessários meses de internação, com diagnóstico de doença inflamatória crônica (Crohn), agravado por trombose de veia cava e ilíacas bilaterais.
Neste momento tão delicado muita gente da cidade da Ana e de outras também, testemunharam toda essa jornada, mobilizando-se sempre com orações, palavras de conforto e de fé e, na época, com campanhas em auxílio às despesas hospitalares, que ultrapassaram as condições financeiras da família. Foram necessárias muitas internações em Porto Alegre, além de acompanhamento constante, com uso de medicamentos e exames laboratoriais. E não foram poucas as vezes em que, no laboratório, foi quase impossível encontrar veias para a coleta de sangue, pois os braços, já roxos, evidenciavam o seu excessivo desgaste. 
Tudo era 'novo' 'assustador' e sem entender nada, a menina que sonhava demorou para acreditar que há poucos dias atrás ela era uma pessoa 'normal' e feliz. E assim, Ana teve sua vida reprogramada, mudada, e ela teve que aprender a conviver com dores diárias e horríveis e a aceitar passiva as várias internações hospitalares para acompanhar sua rotina... 
Certa vez Ana escreveu para a sua heroína( a mãe Loiva)  uma carta onde dizia o seguinte:  "Mãe, quem diria que há alguns anos atrás nossa vida seria essa? Uma vida que, de uma hora para outra, virou de ponta cabeça e mudou todos os nossos planos e sonhos".  As linhas que ela redigiu não dão nem metade da dimensão que é a sofrida, porém linda história dessa dupla ( Loiva sua mãe e Ana). Depois de dias de angústia e espera, os médicos ainda não foram capazes de oferecer um diagnóstico conclusivo: informaram a ela que suspeitavam que Ana tinha a Doença de Crohn (doença inflamatória séria do trato gastrointestinal).

O ano de 2006 foi caracterizado um ano de muitas provações. Isto porque foi neste ano também que faleceu o pai de Ana por conta de um enfisema pulmonar. [ colocação na 1° postagem, onde Ana fala de sua 'ausência' na vida familiar] . Numa das vezes que ela teve alta ainda conseguiu ficar um tempo com o pai, antes de ele falecer, . A notícia foi um baque para a jovem, que dois dias depois voltou a Porto Alegre. "E a mãe dela sempre junto. Mesmo sofrendo, ela dava forças". A partir daí muitas internações se seguiram. Os exames, as consultas e as viagens à capital gaúcha se tornaram frequentes. E as mudanças a cada novo dia também. 


Depois de ter trancado por um semestre a faculdade, Ana retornou à mesma e com muita força de vontade e muita luta contra si mesma, conseguiu finalmente realizar o sonho de se formar. Sim!! Ela iria se formar em agosto de 2008. Porém muitas coisas haviam mudado na cabeça da menina, os seus sonhos foram jogados longe e ficaram para trás após tanta mudança. Mas nesse momento o único sonho dela seria conseguir fazer uma festinha de formatura e comemorar ao lado das pessoas importantes essa grande conquista. 

PS: No próximo post, será relatada a história linda e emocionante da 'gata borralheira' que virou a legítima Cinderela no dia de sua formatura. Aguardem...

Ana Paula Gewehr Heinze- 2018
Aprendendo com o Lúpus © Copyright 2015 - 2017. - Versão Lovely. Ilustração Angie Makes. - Original de Muryel de Oliveira. Tecnologia do Blogger.