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12 março 2018

Desafio em 28 dias


A minha amiga linda @chronic_survivor lançou o desafio mais legal e interessante que eu já participei: 

Desafio das Doenças Raras! Fevereiro é o mês da conscientização das Doenças Raras, e o dia 

dedicado a isso é o 28 de fevereiro. 


Eu topei na hora participar! Um verdadeiro e maravilhoso desafio sobre o meu cotidiano com a 

doença. 

Foi desafiador e muito bom poder mostrar a cada dia algo que talvez eu nunca havia compartilhado 

com vocês. 

Cada dia do mês que já passou irá  ter uma foto com a legenda e explicação que ta pedindo ali. Talvez 

eu vá postando não um por dia, mas mais para não ficar 28 dias seguidos (se eu conseguir, o que não 

será possível devido à exames que irei fazer) e postando na medida do possível pois o que eu quero 

mesmo é expor o conteúdo escrito por mim em cada dia de desafio. Espero que gostem!!



Dia 1- Doenças raras

Eu tenho Lúpus Eritematoso Sistêmico| Cistite Lúpica(interstical)| Síndrome de Sjogren| 




Dia 2- Outras Doenças
Les| Histoplasmose | TVP| Deficiência Visual | Taquicardia | Leucopenia Severa| Disfunção do 

Sistema Nervoso Central | Esofagite Crônica Peptica| Cistite Interstical | Artrite | Artrose | 

Doença Celíaca | Tromboses em ambas as pernas.

E mais uma galera que não temos nome específico.







 Dia 3 
Quando você foi diagnosticado? 

Por mais impossível que pareça ser, a vida inteira sempre fui "saudável ". Ou pensava que era. 

Até que certo dia, literalmente da noite pro dia no dia 1° de fevereiro de 2006 eu fiquei 'doente'...

2006- doença de crohn(com comprovação de diagnóstico errado em 2010)| Trombose das veias 

ilíacas 

e bilaterais (TVP) | Depressão| 

2010- Síndrome do Intestino Irritável| Gastrite | Segunda trombose (TVP) 

2012- Lúpus Eritematoso Sistêmico (doença de base) | Cistite Lúpica | Pancreatite Aguda 

2014- Terceira Trombose 

E assim vivo de lá pra cá. 

Estou completando 12 anos de nova vida. 12 anos de diagnósticos. 12 anos de uma vida controlada. 

12 anos de luta  💪 💪



Dia 4 

Tratamento 

Minha doença de base é o Lúpus Eritematoso Sistêmico, sendo assim, faço o tratamento pra 

"controlar" a doença pois a mesma não tem cura. Para o Lúpus além de medicamentos de uso 

contínuo (alguns de alto custo), faço tb de 28 em 28 dias a Infusão do Imunussupressor 

Benlysta. É como uma quimio mas para LES. Além disso eu tenho acompanhamento com 

terapias(psiquiatra e psicóloga), preciso uma vez por mês aplicar a injeção Citroneuron, tomar 

ao longo do dia 21 medicamentos de uso contínuo. Fora esses, tenho cartas na manga que tomo 

ao longo dia quase todos os dias intercalando de 6 em 6 horas, uns 4 tipos de medicação para 

dor. Dor de cabeça. De estômago. No corpo. Como parte do tratamento tb, devido às 3 

tromboses eu uso a meia de alta compressão, procuro deixar as pernas erguidas e evito o sol. 

O uso do protetor solar é tb contínuo. 

É tanta coisa que acho que devo estar esquecendo algo.

- Tratamento físico, emocional e psicológico sempre!! 

São injeções, exames de sangue semanais, muuuuuito medicamento, dificuldade para me 

alimentar. Controle da pressão arterial e saturação. Dias de dores tão fortes que a cama é o 





Bom, por hoje é isso. Espero que gostem e que eu consiga passar um pouco mais da vida diária e rotina de um paciente de Lúpus e outras doenças.


30 dezembro 2017

2018, como você se vê?



Estamos no penúltimo dia do ano e eu já tentei umas dezoito vezes escrever algo aqui no blog. Sem sucesso. Escrevo, apago, rabisco, acrescento apago outra vez e nada. Nada sai de concreto e nada me deixa satisfeita com o sentimento que quero passar para as palavras. Dia desses postei lá na página do facebook, Aprendendo com o Lúpus algo que realmente me descreve nesses últimos meses do ano. Falei sobre o cansaço. Não sei vocês mas eu tive dias exaustivos nesses meses que se passaram. Um cansaço de corpo e alma.
Não acredito na teoria de 'ano novo, vida nova' 'esse ano vai ser diferente' como???? Será apenas a mudança de números no calendário. Mas as batalhas, as dores, as consultas, exames estarão tudo aqui presentes nesse novo ano, numa sequência normal dos fatos. Sei lá se estou sendo pessimista mas pensem, o que mudou? O que vai mudar?  Talvez mude sim, e eu sinceramente torço pra isso. Espero a cura do Lúpus incansavelmente. E é essa esperança que me move. Mas o cansaço, aaahh esse me acompanha ano após ano!
2017 foi um ano muito, mas muito difícil pra mim. Um ano onde eu guardei minhas dores e meus problemas no bolso e fui dar tudo de mim à uma pessoa que sempre deu tudo de si pra mim, minha prima Aline. Eu fiz tudo o que pude, mas Deus quis ela lá com  Ele para brilhar como a mais linda estrela do céu. A Aline perdeu a batalha contra o Câncer. Mas ela deixou aqui na terra 2 anjinhos nos quais iluminam nossos dias, Cecília e Gael.
Eu perdi minha maior inspiração de vida.
Por outro lado, além dos filhos dela, eu fiquei titia! A mais feliz, a mais realizada...
Rede Social tem dessas características né ... aqui podemos compartilhar nossas alegrias, nossos sonhos, e até mesmo nossas lágrimas e nossas dores.
Meu maior ganho, foi o nascimento do José Pedro...

Minha maior perda, a morte da minha amada prima ...




Mas enfim ainda mesmo com tuuuuudo isso escrito aí encima criei uma teoria de 'ANO NOVO' pra mim e vou tentar segui-la, pois acredito que tudo, tudo mesmo na minha e na nossa vida é presenciada por Deus, que nos escolheu a dedo para sermos essas guerreiras incansáveis que lutam dia após dia em busca de uma qualidade de vida, de mais atenção, que sonham pelos direitos que TEMOS E NÃO RECEBEMOS, que sofrem juntas a perda quase semanalmente de uma parceira de luta, por falta de medicamentos e etc. Deus escolhe a dedo cada uma de nós, e mesmo que a gente as vezes tenha a certeza de que não vamos conseguir partir pra próxima etapa Ele nos sopra baixinho no ouvido : " eu te escolhi, e você vai conseguir.". 
A vida não tem sido fácil; muitos momentos bons e também aqueles que dão vontade de parar, (desistir da caminhada), mas ao mesmo tempo, sinto que Deus está me moldando, me ensinando a cada curva... ensinando a mim e a vocês. 
Sabem que tenho adquirido experiência nessa estrada, tenho dado um grande salto para meu crescimento físico, mental e acima de tudo, espiritual! 
Conheço o lado bom e o lado mau das pessoas e, ao observar ambas partes, conquisto mais sabedoria para dar seguimento a minha forma de existir, pensar e agir. Não absorvo só o lado que mais me parece ser conveniente, mas também o pior. Afinal, ambos me servem de aprendizado e, futuramente, servirão como guia para as pessoas que eu precisar ajudar - dizendo por quais caminhos trilhe - e, tentar ser luz na vida de alguém. E é isso que eu escolhi como META PARA 2018: SER LUZ, SER GUIA, SER EXEMPLO na vida das pessoas. Com minhas lutas, minhas dores, meus relatos, minha vida. 
Decidi buscar ser sempre eu, fazer o meu melhor, não esperar o reconhecimento de quem quer que seja e, ter a certeza de que: 

A MAIOR RECOMPENSA É ESTAR DE BEM COMIGO E EM SINTONIA COM DEUS.
Depois deste ano sou muito mais forte, sou muito mais batalhadora, muito mais guerreira, muito mais compreensível, muito mais...
VEM 2018...



05 dezembro 2017

Tentando amenizar os sentimentos




Difícil falar em algo que não é visível aos olhos ou sensível ao toque. Sofro muito quando sinto que a DOR me impede de fazer alguma tarefa, e não sou entendida por isso. Pessoas acham que é conversa, que é frescura...Às vezes tenho a sensação de que meu corpo passou por um moedor de carne, e analgésicos não ajudam a passar a DOR. Da a sensação de que o LÚPUS vem em uma tempestade, e é preciso se agarrar forte para não ser levada. Quando passa, vem a calmaria. Fica-se destroçada e tentando-se levantar. Nessa hora, mais do que nunca, o AMOR e a COMPREENSÃO das pessoas próximas tem um valor inexplicável. Tento ser alto astral e tento superar numa boa, mas as vezes é muito difícil ... 
Sim. Eu também fico triste.
Às vezes lembro que fui premiada com o Lúpus e sinto raiva, sinto medo, me sinto só.
Imagino como será no futuro, quem vai cuidar de mim, se terei algum tipo de complicação além de todas que já possuo, me chateio me emburreço e me revolto. Choro escondida, um choro tão sentido que parece que estou com pena de alguém, ops! Eu sou esse alguém!
Por que eu? Por que?????
A vida nos dá compensações. Nos dá conforto. Deus não dá um fardo se não pudermos carregar...
Eu sempre escuto esses conselhos. Sempre.
Mas quando estou triste os ignoro. Só quem está na nossa pele pra saber.
Nem tudo são flores, nunca estaremos satisfeitos, e dizer que tem alguém que sofre mais que eu, só piora a situação.
Mas o por que dessa minha rebeldia? Sentimentos? De solidão, de estar esquecida, de raiva, constrangimento? Saudades??? Da minha vida, normal...? Talvez. Dos amigos que me afastei? Não sei também... Se me afastei foi por me sentir inferior, ou também por não ter mais aquele ‘pique’ de antes e poder acompanha-los? Deve ser. Acabei me entregando pra solidão, pelo cansaço, pelas dores que não tenho e vapt, do nada aparecem. É eu também fico triste. Sabe, a tristeza já fez morada aqui dentro. Mas como não posso mudar a situação, tem dias que deixo ela bem presa, e meu sorriso as vezes ‘torto’ sai, e as coisas ficam de alguma maneira mais amenas... e deixo um pouco de lado minha “premiação chamado Lúpus!!” .

Semana que vem inicio uma batelada de exames. Em 2015 após muito tempo tendo hemorragias resolvemos colocar o SIU(MIRENA), um dispositivo intrauterino parecido com o DIU que após colocado tem o efeito de parar o sangramento da menstruação. Só que não foi o que aconteceu. Continuei menstruando. Minha médica disse que isso ocorre porque tomo anticoagulante por causa das tromboses, deixando meu sangue fino e meu organismo mais sensível. Faz uns 3 meses que eu venho apresentando hemorragias fortes e com prazos mais perto. Quase que todos os dias do mês. Estou anêmica, queda dos leucócitos, linfócitos e plaquetas.
Confesso que estou cansada disso também. Sinto cólicas, enjoos , cansaço e uma imensa tristeza. O que me levou a tomar uma decisão bem drástica. Remover meu útero. É arriscado, é. No meu caso mais ainda porque meu corpo reage com infecções, o processo de cicatrização é longo e complicado e riscos de algo pior sempre tem. Mas pensei muito e a decisão está tomada. Conversei com meu reumato e minha gineco, e eles aceitaram minha decisão, porém me pediram pra pensar mais um tempo. Relataram que muitas mulheres após uns meses da retirada do útero entram em crise depressivas por “se acharem menos mulheres” com a falta deste órgão. Poxa vida, pensem comigo, a pior notícia que eu pude receber na minha vida já me foi dada: não poderei ser mãe. Não poderei gerar um filho. Então porque vou continuar pondo minha vida nada saudável em mais risco com essas hemorragias se posso cortar o mal pela raiz??... A decisão está tomada. Agora inicio exames. Pode ser que meu corpo já tenha rejeitado o SIU e por isso a menstruação está cada vez mais severa. Farei exames para ver se ele ainda está no meu útero ou se já foi expelido. Isso não importa mais. Sei que essa cirurgia será chata, sei que o pós operatório será cansativo e dolorido, mas preciso tentar. Coragem? Não. Apenas estou cansada disso tudo mais uma vez e quero diminuir UM problema dos milhares que preciso encarar. Queria fazer essa cirurgia ainda este ano que por incrível que pareça já está acabando, só que sabemos que dezembro é um mês de festas, férias e acredito que talvez os médicos queiram deixar pra janeiro. Não dá pra ficar adiando muito. Estou perdendo muito sangue. Estou fraca. Perdendo peso... vômitos diários. Muitos elogiam a minha “magreza”, pois acham que estou bem e com o corpo tão sonhado por muitas. Gente, pelo amor de Deus!!!!!! Foto engana... prestem atenção. Nem sempre ser magra ou ser gorda é sinônimo de SAÚDE. Nunca julguem pela nossa aparência.

Enfim, é isso. Mais um desabafo... Mais uma nova batalha pela frente. Ahhh, o nome da cirurgia de retirada do útero é: HISTERECTOMIA. 




💙eu me supero todos os dias💙

13 outubro 2017

Um dia de cada vez


Há dias em que o sol brilha sem arder, a vida fica mais clara e leve. Tudo parece fazer sentido e até o céu fica colorido. Mas também existem dias escuros, dias frios e tão barulhentos quanto o estrondo de um trovão. Dias em que a cabeça parece que vai explodir em meio a tantas dúvidas, complicações, dores e confusões! De repente nada se encaixa, o peito vai apertando até dar um nó na garganta.
É fácil pensar que Deus existe quando tudo está caminhando conforme os nossos planos e encaixando perfeitamente em nossos sonhos. Mas nem sempre é assim, não é mesmo? E nos momentos difíceis não se pode esquecer que tudo acontece por um motivo, nem que seja para fortalecer a sua fé e te provar que você pode ir muito mais longe do que você imagina.
Inevitavelmente algumas pessoas irão te decepcionar, mas isso irá te amadurecer. Você pode cair vez ou outra, mas é assim que se aprende a caminhar. E com o tempo você entende que existe o tempo de plantar, e depois ainda haverá o tempo de chover, para só então florescer!
Às vezes insistimos tempo demais naquilo que simplesmente não é pra ser. De repente a vida toma um outro rumo, desvia da meta que você havia traçado e só depois você percebe que tudo tinha que ser exatamente da forma como foi, e que os caminhos que você não queria seguir te levaram a lugares muito mais lindos do que aqueles que você almejava alcançar.
Por isso quando estiver mergulhando em um mar de ansiedade e angústia, pensando em se entregar e desistir, erga a cabeça e lembre-se que de tudo se leva um aprendizado. As coisas nem sempre saem da forma como imaginamos, eu sei. E pode ser que agora você não consiga entender, mas em breve irá agradecer, porque os planos de Deus são muito maiores (e melhores!) que os seus.
Que assim seja, sempre!!
Dias ruins vão passar. Essa dor toda também irá passar... a agonia e a solidão são necessárias para algum futuro aprendizado. 
( e quando a SAUDADE de alguém muito importante e especial em sua vida bate com toda força fazendo o coração arder, doer, chorar o que se faz?? Heiiinnn Deus?? O que eu faço pra acalmar essa 'dor' de saudade?? ) 

02 agosto 2017

Lágrimas Necessárias


Quantas vezes já chorei escondida sem saber que a vida me fazia um favor, sem entender que aquilo não era o fim do mundo, mas sim o início de algo melhor. Porque existir é recomeçar vez após outra, é fechar uma janela para abrir uma porta enquanto enxugamos as lágrimas por alguém que nunca as mereceu.Albert Einstein costumava dizer que se havia uma coisa pela qual ele tinha gratidão era por todas aquelas pessoas que ao longo da sua vida lhe tinham dito “não”. Cada uma das frustrações sofridas por conta daqueles que se negaram a ajudá-lo oportunamente lhe permitiu mais tarde encontrar essa motivação com a qual aprender a fazer as coisas por si só. A ser mais forte.
Ninguém sabe o quanto eu já chorei, nem tudo que essas lágrimas me ensinaram. Atualmente sou o resultado de cada um desses prantos silenciosos que deixei escapar, e não por fraqueza, mas sim por cansaço de ser forte…
Há momentos em que simplesmente não aguentamos mais. O estresse emocional causado por tantas decepções, fracassos e por cada “não” encontrado no caminho nos obriga a parar. É então quando aparece a impotência e a clara sensação de que perdemos o controle das nossas próprias vidas.
É muito provável que se você agora pudesse viajar ao seu próprio passado, sentiria compaixão da sua pessoa vendo-a chorar por motivos que provavelmente nunca valeram a pena. Todas essas lágrimas derramadas por quem nunca mereceu o seu afeto ou por cada instante de angústia por um projeto ou sonho que nunca valeu realmente a pena são agora lembranças permanentes. Sonhos quebrados, mas ao mesmo tempo úteis, inscritos nessas nuvens passageiras dos nossos próprios ciclos vitais.
Agora, cabe apontar que ninguém chega a este mundo “já sabendo” de fábrica. As lágrimas são como rituais de passagem que precisamos experimentar à força para continuar crescendo, para saber “quem sim e quem não”, para nos colocarmos à prova e medirmos nossas próprias forças.
É muito provável que você tenha ouvido muitas vezes essa expressão de que “só quem já sofreu pode entender o que é a vida de verdade”. Cabe dizer que isto não é totalmente verdade. A felicidade também ensina, também nos oferece recursos adequados. Agora, a adversidade é aquele cruzamento no caminho pelo qual a maioria de nós terá de passar alguma vez.
Eu também já chorei por cebolas que não valiam a pena, por sonhos que o vento levou e por doces desejos que se tornaram amargos…
Quando a cruzarmos, quando experimentarmos a dor em qualquer das suas formas, já não seremos os mesmos. Por isso, é preciso propiciar “um sofrimento útil” do qual falamos anteriormente, esse que nos permite aprender a ser mais hábeis, melhores estrategistas com mentes resilientes e pessoas capazes de ver novas oportunidades. Porque mesmo pensando que a vida nos deu um redondo “não”, às vezes não é mais do que um “espere mais um pouco”…
No fim das contas, é nestes momentos de dificuldade pessoal que descobrimos as fortalezas que temos internamente e tudo o que somos capazes de fazer. 
Porque mesmo que você não acredite, somos como o carvalho, que quanto mais o vento sopra, mais forte cresce.

12 junho 2017

Escolhas e Renuncias


Quando a vida nos prega uma peça e somos obrigados a deixar tudo o que estávamos acostumados a fazer, a primeira coisa que vem em nossa cabeça é: "O que eu fiz de errado para estar passando por isso. Por que eu Deus?". Mas será que temos mesmo o direito de fazer tais constatações? Prefiro dizer que Deus colocou obstáculos no meu caminho e me deu o livre arbítrio de escolher como vou encarar e viver isso a cada novo dia. 
A gente sempre terá de fazer ESCOLHAS! E através dessas escolhas precisaremos renunciar muitas coisas.
Vejam bem:
Sempre teremos escolhas a serem feitas bem à nossa frente, diariamente, o tempo todo. São muitas as oportunidades e as opções que se descortinam ao longo da vida, sendo elas que determinarão a qualidade de nossa jornada, de nossas amizades, dos amores que nos acompanharão mundo afora. No entanto, muitas vezes, o que nos tornará mais felizes e aptos a manter nossos passos tranquilos e serenos serão as renúncias que faremos, exatamente o que deixaremos para trás.
Nem sempre poderemos levar conosco tudo o que pretendemos, todos de quem gostamos, tendo que, em vários momentos de nosso caminhar, optar por desistir do que parecia vital, mas, na verdade, não o era. Renunciar é deixar de escolher, é escolher pelo não, é tirar do leque de alternativas aquilo que não pode, não deve. Não é fácil, nunca será, mas desistir de algo que emperra e de alguém que inclusive já desistiu de nós e de si mesmo tornará nossa vida mais leve. Vão por mim, EXPERIÊNCIA PRÓPRIA!!
Na nossa luta contra o Lúpus, devido aos medicamentos e tratamentos que fazemos as renúncias são diárias, quase que em sequência. Teremos que renunciar a noites de diversão, a baladas com amigos, a tardes ociosas à beira da praia. Teremos que renunciar ao celular mais novo, ao carro do ano, às roupas da estação, à viagem de férias. Renunciaremos a ofertas de emprego, a oportunidades de estudo, a mudar de casa, de cidade, de país. Renunciaremos a antigas ideias, a planos, a sonhos. Seja por amor ao parceiro, aos filhos, para salvar um relacionamento, um lar, seja para salvar a nós mesmos. 
Tão penoso quanto renunciar é o que vem depois, aquele futuro em que nos encontraremos questionando a nós mesmos se fizemos o certo, se poderia ter sido melhor de outra forma, em outro lugar, com outras pessoas. Inevitavelmente carregaremos algumas dúvidas quanto ao que estamos fazendo de nossas vidas, porque somos humanos falíveis e estaremos sempre rodeados de outras formas de se viver que não a nossa.
No entanto, caso estejamos junto a quem amamos e nos ama de verdade, respirando a serenidade de vivermos aquilo que somos, de acordo com o que acreditamos, teremos a certeza de que trilhamos o melhor que a vida nos ofereceu. As dúvidas virão, bem como alguns arrependimentos, pois não acertaremos o tempo todo. Mas podermos conviver serenamente com o resultado de nossas escolhas e renúncias sempre será melhor do que viver uma vida sozinha porque só pensamos em nós mesmos e em mais ninguém. 
Vivamos, enfim. Um dia de cada vez. Uma escolha e uma renúncia de cada vez, no nosso tempo e na nossa vida. 
Deixo hoje uma foto de hoje, minha, sorrindo e levando meu dia na calmaria. 
Que tenhamos uma bela semana sem dor, com amor... e esse sol lindo a nos iluminar!

23 maio 2017

Como estamos encarando A NOSSA VIDA?


Não sei se você já se perguntou o que tem feito com a própria vida. Se tem lutado pelos seus sonhos e defendido as suas ideias e valores mais preciosos com gana de herói. Se as suas escolhas realmente têm refletido quem você verdadeiramente é, o que quer, o que pensa, no que acredita, aonde quer chegar. Se tem motivos para se sentir feliz e realizado, se faria tudo de novo, se gostaria de voltar no tempo e fazer diferente… Não sei.

De repente, a gente começa a pensar naquelas coisas que geralmente não pensa, consegue entender? É como se a gente fosse levando, levando, levando e, quando se dá conta, o tempo passou tão rápido que mal pudemos perceber. E aí, será que nessa levada louca não esquecemos coisas importantes pelo caminho?

Dizem que as coisas mais lindas e verdadeiras são também as mais simples. Uma palavra de fé, esperança e incentivo na hora da dor, da dúvida ou do medo. Um abraço apertado que acalenta, liberta e conforta. Olhos que te olham, que te enxergam, que te dizem sim. Alguém que simplesmente se importa. A presença mesmo na ausência. A sensação de que você está em casa, simplesmente em casa, seja lá onde realmente você estiver.

A vida é labirinto, já reparou? Um caminho cheio de curvas, barrancos, estacas, derrapadas. Uma estrada cheia de setas malucas que apontam para aqui e para ali. Um espaço sagrado de tentativa e erro, tentativa e acerto, tentativa e erro de novo, tentativa e acerto de novo. Aprendizados. Recomeços. Buscas internas. Escolhas. Renúncias. Paciência. Perdão.

Nesse caminhar às vezes tão solitário, nessa trajetória tão única e particular, vale a pena se perguntar o quanto valeu a pena. O quanto tem valido a pena. E olhar para o lado. Abrir a janela. Aprender com o outro. Sonhar com o outro. Sorrir para o outro. Celebrar pelo outro. Sentir compaixão. Viver com-paixão. E agradecer.
Agradecer pelo bom e pelo ruim. Pelos sins e pelos nãos. Por todas as suas vitórias. Pelas vezes em que você fracassou. Pelas pessoas que, com tanta sabedoria e generosidade, o Universo colocou no seu caminho só para que você pudesse crescer, aprender e evoluir. Com elas. Por elas. Apesar delas.
Pelas pedras no caminho. Pelos momentos de dor e pesar. Pelos pequenos grandes milagres. Por todas as vezes em que você fez alguém sorrir. Por todas as vezes em que você estendeu a mão, espalhou esperança e amor, foi de verdade, foi de corpo, alma e coração. Foi simplesmente você.

Gratidão. E é essa a palavra que, todos os dias, nos faz recordar o real sentido da vida: saber que, apesar dos pesares, das escolhas, das renúncias, dos erros, dos acertos, dos tropeços e das pequenas vitórias e derrotas de cada dia, você não está sozinho.
Sim. É certo que a escolha é sua. Que a vida é sua. Que da sua trajetória, quem sabe é você. Mas é sempre bom ouvir um “conte comigo”, não é mesmo?

Porque você não está sozinho. Porque existe quem realmente se importa. Quem realmente te ama. Quem realmente está pra você e com você. Hoje. Agora. Sempre.

Não sei se você já se perguntou o que tem feito com a própria vida, mas, se quer um conselho: chegou a hora.
A vida passa rápido demais. No final de tudo, você certamente vai se perguntar se esteve para o outro, se fez a diferença na vida do outro, se estava ali com presença efetiva, coração aberto, compaixão. No final de tudo, você certamente vai se perguntar se viveu, se amou, se foi importante no mundo de alguém.
Não deixe a dádiva de viver para um final que você nem sabe quando será. Recomece agora. Faça o que tiver que fazer agora. E, se for pra pedir ajuda, peça. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, muito pelo contrário. O mundo carece de gente que reconhece o valor da humildade e abraça a vulnerabilidade sem medo do que os outros vão pensar ou falar a respeito. 
Seja humilde. Não precisa carregar o peso do mundo nas costas. Aprenda a dividir também.
Vai lá. Faça valer a pena.
Estamos todos num mesmo barco.
Rema.
Nada mais triste do que passar pela vida e não viver.

Ana Paula G. Heinze/ Maio de 2017


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