19 abril 2018

Só por hoje


Realmente deve ter um oficial do Hitler ou da ditadura por trás disso, esse "jogo" é massacrante e cruel , e não tem um dia que eu deixe de jogar. Eu quis medir força e perdi, perdi feio , não se pode competir, querer ganhar, fazer acordos.  A vida é essa, essa aqui. 
Se adaptar é sempre melhor. As pessoas não fazem ideia do que é um esforço diário para continuar sobrevivendo, é tudo lento, gradual, irritante. 
As vezes nos veem como preguiçosas, temos que cuidar da nossa saúde, lembrar das coisas, manter o ritmo, tentar não ser estorvo, um peso... muitas vezes mesmo sem querer tiramos a felicidade dos que convivem conosco, e nos sentimos inquilinos na nossa vida. 


*** As vezes penso que tenho que ter o direito de escolher se quero viver assim ou se desta forma eu não quero mais. Eu escolhi viver mas posso escolher não querer viver assim, e isto não tem a ver com depressão, não é querer suicídio nem estar depressiva. Eu escolhi viver, mas não estou disposta a pagar qualquer preço por isso. Tenho certeza de que se meu médico ler isso vai querer me internar imediatamente na ala psiquiátrica! Racionalmente pensar assim é simplesmente ter o livre arbítrio para não querer seguir isso tudo. Penso assim:  Não quero causar mais dores nos outros que dependem de mim , pois chega uma hora em que todos sofrem em ver o sofrimento e não poder fazer nada. É ou não é assim? Seguido escuto: não posso te ver sofrer assim e não poder fazer nada. Poxa vida, isso pra mim é mais dolorido do que minha própria dor.  Não se pode condenar as pessoas a sofrer com a gente estas mazelas. ***

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Mas enfim o jogo é este, e nesta competição atualmente estou perdendo, porém ainda lutando. Já bati várias vezes o martelo , já joguei a toalha. Isto não quer dizer que tenha desistido de viver , isto não. “EU ESCOLHI VIVER “ mas cansei de lutar, vou viver como quiser e me fizer bem. 


Hoje o post foi meio revoltado... Faz parte, ninguém passa a vida sem ter raiva em alguns momentos... ainda mais quando já iniciamos o ano repleto de ‘novas batalhas’ contra esse Lúpus que insiste em estar presente dia após dia, mês após mês... eu realmente cheguei ao topo do limite. Achei que seria uma cirurgia (necessária) e meu ano seguiria com minhas lutas mas "normal" na medida do meu possível. Porém, estamos em abril e parece que meu corpo acendeu as luzes de neon mostrando lugares "problemáticos" e que me levaram e ainda vão me levar ao centro cirúrgico. Já foram 6 procedimentos em 4 meses. Uiiaaaa.... .... 
 Mas como uma lúpica forte e lutadora, vou erguer minha cabeça, respirar fundo, reforçar minha FÉ e lutar... 



Afinal, as piores batalhas são dadas aos melhores guerreiros!!!

14 abril 2018

Vida, luta, lição do outono!!!



Ah, o outono... Porque te amo, escrevo, você é minha 'ressaca de verão', minha calmaria, minha esperança. Depois da alegria, a depressão, vem a renovação. Confesso que estava esperando este momento, sei lá, queria que morresse um pouco de mim, como acontece com as folhas das árvores aqui de casa. Não importa o ano, sabemos que o outono chegará para derrubar tudo e pintar de marrom o chão do quintal. 
Engraçado como a gente deposita esperanças nas datas, nas viradas, nas trocas de estação. Hoje é outono, ontem era verão, mas nada muda subitamente. A natureza age devagar. Nós é que atropelamos as coisas.Eu que quero tudo e todas as respostas pra ontem. A perfeição é sempre a longo prazo. Mas eu sou apressada e quero que tudo mude agora, não sei esperar, não sei deixar rolar, quero mesmo pra ontem. Vou lá fora e brigo com a minha árvore preferida: Por que suas folhas não caem de uma vez? Numa tentativa de projetar nela, o que eu queria que acontecesse comigo. Ela não me responde, lógico, será que ri de mim por dentro? Daí eu chego nela e balanço até várias folhinhas caírem devagarzinho, deslizando no vento pra lá e pra cá, mas são tantas e infinitas que minha ira contra a natureza é em vão. Olho para baixo e elas formam um coração quebrado, talvez ironia da própria árvore, com seu senso de humor rebuscado, talvez uma bronca pela minha ânsia de fazer o que não está no meu controle, ou talvez ela consiga sentir o meu coração e prestou a sua singela homenagem. Quando larguei ela, machuquei o peito e percebi que ralei a mão enquanto balançava. 
Lição do outono. 




Percebi que tudo vai acontecer, querendo ou não, se apressar, vai se machucar. As folhas vão cair, as memórias vão se apagar, o sofrimento passa, a dor termina, os ciclos precisam se fechar naturalmente. Quando não há o que fazer, quando não cabe a nós, deixe estar. 
Queria saber quando foi que deixamos de fazer parte da natureza? Perdemos o que ela tem de mais sábia: paciência e tempo. 
Agora outono você que chegou chegando, vem com calma. O Lúpus não tem estação. Terei um início de 'folhas caídas', mas cheias de esperança, e fé sentimentos que me movem. Abril já está no meio, porém me reserva muitas tarefas ainda, e já estou cansada. Maio vem com tudo. Tem coisas que não posso adiar  'usando o verão' como desculpa para não encarar minhas folhas que estão caindo: essas dores, o cisto gigante no meu joelho, o problema com meu catéter portocath, a retirada dele, a recolocação de um novo, os riscos e por aí vai. 

Meu pedido à ti, outono, é que venha calmo. Preciso de sua calmaria pra me acalmar. E preciso assim como você, trocar 'minhas folhas secas' por ares novos. 

Tenho ESPERANÇA no que virá... 



A gente vive buscando garantias. 
Queremos que dê certo, queremos fazer dar certo,
lutamos para colocar tudo nos trilhos, nos eixos. 

Mas a vida segue seu ritmo.
Os sentimentos têm seus próprios passos de dança.
E de vez em quando somos obrigadas a ensaiar um
novo passo.
Nem sempre dura.
Nem sempre é eterno.
Nem sempre é como um sonho bom.
E precisamos lidar com isso.
Nem que seja na marra.
Nem que tenha que engolir o choro e de vez em quando

forçar um ou outro sorriso. 

Ana Paula G. Heinze 04/2018
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